sexta-feira, 9 de julho de 2010

Esqueça-me

- E estou falando sério. - disse uma eu completamente desvairada - Você me traiu. Que raio de amiga é você? - As lágrimas vinham com rapidez e facilidade.
- Não fiz por mal... Não pensei que fosse tão importante assim! - Ela também chorava.
- Você não deve sair explanando por aí o que eu te conto! Escuta aqui, eu confiei em você. - eu disse apontando para o rosto dela - E o que você me deu em retribuição? Uma facada no meio das costas? - dei as costas a ela e comecei a andar de um lado ao outro, tentando reprimir a fúria que em mim existia.
- Olha pra mim, eu não tive intenção de te fazer mal, por favor, acredita em mim... - ela disse, a voz falhando enquanto segurava minha mão, e no mesmo instante me soltei do aperto dela.
- NÃO! PENSEI QUE PUDESSE CONFIAR EM VOCÊ, PENSEI QUE VOCÊ PUDESSE SER DE UM TUDO, MENOS DESLEAL COMIGO, ACABOU.
A deixei sozinha naquela pracinha em que tantas vezes nós andamos de balanço e conversamos sem ter noção do tempo que transcorria, enquanto vivíamos nossos momentos nostálgicos, pensando em como fomos amigas desde aquele primeiro dia na escola. Eu estava sozinha, e você? Rodeada pelas outras crianças da escola. Você abriu mão de todos aqueles por mim. E agora, estou voltando pra casa sozinha. Da mesma forma em que cheguei na escola, naquele primeiro dia. Não vou dizer que não sentirei sua falta, porque você foi minha companheira durante 10 anos. Sei que não vou suportar a incerteza que você representará. Posso te perdoar, mas não vou mais conseguir confiar em você, como um dia eu já confiei.

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