sexta-feira, 2 de julho de 2010

Já são mais de...

Oito horas da noite. E ele sequer me telefonou. Não aparece desde ontem, eu já estou preocupada. Será que algo aconteceu a ele? Ou será que ele sumiu assim por minha culpa? Total e exclusivamente minha culpa? Fiquei com o telefone na mão o dia inteiro, esperando aquele telefonema... E nada. Resolvi então ligar, eu precisava ouvir a voz dele, saber se estava tudo bem. Escrevi diversas vezes o número, sem ter coragem o bastante para realizar a ligação. Disquei mais uma vez e liguei mesmo. Coloquei o aparelho ao ouvido e esperei que ele atendesse. Nada. Ok, se é assim que você quer. Resolvi tomar um banho quente e dormir, nada mais normal para uma sexta feira a noite. Deitei a cabeça no travesseiro, e sinceramente, eu tentei não chorar. Mas não consegui conter, e elas rolaram pelo meu rosto até que então eu dormi, cansada de tanto chorar. Era madrugada, e meu telefone tocou. Insistente, irritante, durante meu sono conturbado. Acordei meio grogue, mas rapidamente fiquei alerta, quando vi quem me telefonava. Era ele. Atendi, tentando ser indiferente.
- Alô? 
- Oi ... Preciso dizer que te amo. - ah agora ele me ama?
- Onde você esteve o dia inteiro?
- Andei por aí, pensando na minha vida. - é, o problema é comigo mesmo
- E chegou a alguma conclusão? - tentei deixar minha voz estável, mas não tive sucesso algum, obviamente.
- Sim. Você pode vir até aqui? Precisamos conversar. 
- Tudo bem, só vou vestir algo e logo vou.
Sim, agora meu mundo está prestes a terminar, agora minha vida, minha razão... Vai se esvair. Vai deixar de existir. Cheguei 15 minutos após a ligação, ele abriu a porta, um tanto hesitante.
- Então, o que você quer? - eu disse, novamente tentando demonstrar uma indiferença que não existia.
- Olha - ele segurou minhas mãos, e entrelaçou seus dedos nos meus - você sabe que eu te amo, não sabe?
- É... Acho que sei. Continue.
- Por mais que eu te ame, não podemos ficar juntos, isso não tem mais sentido. - senti-me gelada por dentro imediatamente, e isso nada tinha a ver com o frio que fazia nesta noite. Engoli a seco.
- E porque não tem sentido? Você mesmo não disse que me ama? - respirei fundo, tentando me manter controlada, já sentindo a histeria que viria em seguida.
- Eu te amo... Mas existe outra pessoa. - deixei escapar uma lágrima, e logo esfreguei a mão pelo rosto.
- Então você não me ama mais. - soltei minhas mãos das dele, com dificuldade, pois ele não queria me soltar de forma alguma.
- Sim, eu te amo.. Só que essa pessoa exerce uma atração incrível sobre mim, não posso resistir a isso, e não quero te ferir, mais do que já estou fazendo. - se ele tivesse batido em mim, teria doído muito menos.
- Tudo bem, é assim que você quer... Não posso fazer nada. - passei as mãos pelo pescoço, procurando a correntinha que ele havia me dado em nosso primeiro encontro. A tirei, e então a coloquei nas mãos dele, que se mostrou muito surpreso com meu gesto.
- Não, fica com ela, foi um presente.
- Não, eu não vou ficar. Dê o presente pra sua "pessoa que exerce atração incrível sobre você" - deixei meu despeito aparecer, e a acidez jorrar de minhas palavras, não me importava com mais nada. Ele começou argumentar comigo, mas logo o cortei. - NÃO, NÃO QUERO MAIS SABER. ME ESQUEÇA.
Saí quase correndo da casa dele, e ele veio atrás de mim. Eu continuava a dizer para ele me deixar, quando eu atravessava uma avenida um tanto movimentada, eu me virei pra pedir a ele que me deixasse de uma vez por todas, e foi quando aconteceu. Não lembro direito como foi, só vi duas luzes muito fortes vindo em minha direção. Eu olhei nos olhos dele mais uma vez, ele correu para mim, me abraçou com força, eu sussurrei a ele um último "eu te amo". Uma lágrima cintilou nos olhos dele, e então a luz chegou em definitivo. Para que nunca mais víssemos nada neste mundo.

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