antes de se afastar e dizer que precisa ir até a rua respirar direito. Pudera, dentro dessa festa está realmente quente, sufocante. Ela diz que já volta e fico ali esperando por ela. Passaram-se 5 minutos. 10 minutos. 20 minutos. Bateu a aflição. Em meio a tanta gente, saio da festa e começo a procurá-la na rua. Na rua também tem muita gente e o desespero cresceu quando eu não a vejo em lugar algum. Onde minha melhor amiga se meteu, afinal? Tiro minhas sandálias e as seguro em uma mão, enquanto em outra ainda tenho uma garrafinha de vidro de alguma bebida qualquer. Começo a afastar-me do lugar da festa, tento ouvir qualquer barulho, ou então a risada dela. Provavelmente ela está com algum garoto por aí, eu penso, tentando ficar calma. Então, ouço um grito. Apavorado, assustado, temeroso. E pra mim, torturador. Esse grito parece-se tanto com a voz da minha amiga... Já estou quatro quadras da rua onde a festa acontecia, ainda ouço com muita clareza a música na festa. Não dá tempo pra voltar até lá e pedir ajuda: não consigo correr muito rápido. Entro, então, na praça de onde acho que veio o grito. Vozes ecoam pela praça deserta. Uma, ameaçadora, a outra; suplicante. Meu coração bate forte contra meu peito quando vejo a sombra de duas pessoas contra o muro do banheiro da praça. Engulo o nó em minha garganta e avanço pé por pé, tentando ver quem são as pessoas. Eis que minha respiração para, juntamente com meu coração. Quem eu vejo, é um desconhecido, parecendo embriagado. E a outra pessoa, apesar de estar escondida pelo homem estranho, é minha amiga. Pedaços da blusa que ela vestia está no chão. A reconheço, pois a blusa foi um presente meu. O que ela suplicava, era que ele parasse. Agora percebo que a calça dele está meio abaixada, e a saia dela, levantada demais. Não penso duas vezes antes de largar as sandálias no chão e avançar sobre ele, o puxando pra longe dela pelos cabelos. No mesmo instante em que tiro ele de cima dela, ela cai no chão e abraça os joelhos enquanto põe o rosto entre as pernas... Chorando. O afasto dela o suficiente e me coloco entre os dois. O homem avança em minha direção com um sorriso maldoso nos lábios. Vou me afastando. Viro o rosto pra ver como minha amiga está, ela parece mal. E é a vendo assim que tomo coragem pra dar a ele o que ele merece. Sorrio maliciosamente, e chamo ele pra perto com o dedo. Ele se mostra confuso, mas se aproxima da mesma forma. Enquanto ele me encosta contra a parede, ao lado de minha amiga no chão, eu tomo o último gole da bebida da garrafa que ainda estava em minha mão. Ele puxa meu vestido pra cima e então quando ele começa a penetrar em mim, rapidamente quebro contra a parede a garrafa que tenho em mão, e a cravo nas costas dele. Ele urra de dor. Retiro a garrafa e a cravo em suas costas repetidamente. Então, o afasto um pouco e cravo a garrafa quebrada também em seu peito, seu abdômen; acabo por me sujar com o sangue imundo dele. Só quando tive certeza que ele não teria força alguma pra vir atrás de nós, o empurrei pro chão e com muita dificuldade tirei minha melhor amiga, minha protegida, de perto daquele animal. E ele? Ele ficou lá. Sangrando até morrer como gente como ele merece terminar.
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