terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Capítulo III, Gui.

Eram quase sete horas. Droga, droga, to muito atrasada. Minha amiga Bianca estava aqui em casa enquanto me arrumava pra sair com meus irmãos. Estávamos brincando, normal. A abracei e a levantei, e com isso, caímos as duas no sofá. Bati com o joelho entre as pernas dela, e ela gritou "Alice, aff, tu me descabaçou agora!" Ela, minha mãe e eu rimos muito, mesmo. Fui levá-la até a frente, e ela quis brincar comigo. Sobe nas minhas costas - ela me disse. E me puxou, com força demais e eu voei por cima dela, caindo de frente no chão, na escada. Não riam, ok. Doeu. Levantei, com a ajuda dela, e com os milhares de pedidos de desculpa. Mamãe veio ver o que tinha acontecido, e eu lhe disse que tinha caído, e só. Saí com meus manos, mesmo cheia de dores, problemas pra respirar e o pior: tonturas. Eu não havia almoçado, e a queda me deixou completamente fora de rota. Fomos até à academia. Eu esperava encontrar Mari.. e ele. Mas não a encontrei. Droga, mais uma vez. Subi ao segundo andar do prédio, onde fica a tal academia. Lá estava ele. Calma, calma, calma, calma. Eu pensava comigo mesma. Ele não morde; nem vai te fazer mal. Ah, se cala, Alice, e vai lá dar oi pra ele. Lá fui eu. Com a pior cara do mundo, sentindo dores, tonturas e tudo o mais, me aproximei dele, e lhe dei um beijo no rosto. Viu, sua anta, não é nada demais. HAHA, sou uma ótima companhia para minha própria pessoa. Peguei um colchonete na pilha, o joguei no chão e fui buscar os pesos, para fazer abdmoniais. Fiz o horripilante alongamento, completamente mal feito, pus os pesos nas pernas e deixei que meu corpo caísse para trás, a fim de deitar-me no chão. Respirei fundo várias vezes, como sempre faço antes dos abdominais. 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12 - eu contei. Quando sentei, para descansar um pouquinho antes da próxima série, e senti uma tontura forte: desisti. Me pus de pé, tentando não enrolar um pé no outro, devolvi o colchonete à pilha, e os pesos a sua caixa. E fui me sentar na escada que dava acesso à academia. E então adivinhem quem vinha descendo as escadas? É, ele mesmo. O Gui. Mal vi que era ele, e meu coração começou a bater descompassadamente. "O que tu faz sentada aí?" Eu o ouvir dizer. E lhe contei que caí, me machuquei e que estava tonta. Ele me disse que eu deveria ter comido, que eu não devia mais ficar sem comer nada o dia todo. Eu sorri, e para ser sincera, não lembro mais sobre o que falamos. Só o vi se aproximando de mim, cada vez mais, e mais... Meus olhos se fecharam e senti os lábios dele com delicadeza sob os meus. Espera, vou ali morrer e já volto. Que menino perfeito. Aquele perfume ou desodorante, (eu nunca sei a diferença) me alucina, inebria... hipnotiza. Acho que nunca senti um cheiro tão bom. Há dias sinto esse cheiro, e ele sempre causa a mesma reação: o palpitar descompensado do meu coração. Levantei da escada, com a intenção de abraçá-lo, e o fiz. Senti aquele abraço forte que não machuca nem sufoca, mas que é apertado... e bom. Muito bom, devo confessar. Mas a magia do abraço terminou quando eu cambaleei para trás, e ele teve que me segurar pra que eu não caísse. Eu disse que não tenho equilíbrio nenhum - falei a ele. Ficamos rindo e conversando, quando Caio passa, ele nos olha, sem nada dizer, mas com uma expressão que eu não consegui decifrar. Logo depois disso, Caio subiu novamente para a academia, Gui disse que tinha que ir embora, porque o irmãozinho dele estava sozinho em casa. Brinquei com ele, dizendo que deixasse o irmão em casa, e depois fui com ele até a rua. Nos despedimos, e eu voltei pra academia. Um pouco mais tonta do que antes (sim, isso é possível). Fiz um quilômetro na esteira, e quando desci tive que pensar seriamente em como se fazia para não cair. Fui me arrastando de aparelho em aparelho, fazendo minhas três séries de doze flexões. Caio veio até mim, e quando indaguei se ele estava bravo comigo, e ele me respondeu um "nãão, capaz. Nem vi que vocês ficaram.", muito descontraído. Então estávamos indo embora, ele abriu o braço para que eu entrasse embaixo, e com isso ele ficasse com a mão sobre meu ombro, eu o olhei meio de lado e disse ''o Gui foi o último ok?'' Ele se vazou rindo, e me disse que o Gui não era um cara mau. Sorrindo e com muito alívio, deixei a academia para trás. Quando estava saindo com meus irmãos, encontro com Leo. Acenei para ele e segui em frente. Afinal, meu encantamento é com outro.

P.S.: Continuação daquela história... alguém lembra?

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